Luciano Colicchio Fernandes apresenta inicialmente que o uso de wearables, sensores corporais capazes de coletar dados fisiológicos e biomecânicos em tempo real, deixou de ser uma inovação restrita a laboratórios esportivos e passou a integrar a rotina de clubes, seleções e centros de treinamento. Em esportes como vôlei e futebol, esses dispositivos têm papel direto na gestão de carga de treino, na prevenção de lesões e na tomada de decisões sobre escalações e rotinas de recuperação.
Essa transformação representa uma mudança profunda na forma como o corpo do atleta é monitorado e preservado ao longo de temporadas cada vez mais intensas. Aqui, você entenderá melhor como esse novo modelo vem impactando o desempenho e a longevidade esportiva.
Vôlei: Análise de salto, impacto e sobrecarga articular
No vôlei, um dos principais desafios físicos é o alto número de saltos e aterrissagens ao longo de treinos e partidas, o que impõe grande estresse às articulações, especialmente joelhos e tornozelos. Sensores inerciais (IMUs), posicionados em cintos ou coletes, permitem medir altura de salto, aceleração, desaceleração e impacto na aterrissagem.

Esses dados ajudam a identificar padrões de fadiga e assimetrias de movimento que podem indicar risco de lesão. Luciano Colicchio Fernandes explica que esse tipo de monitoramento permite ajustes preventivos no volume de treino antes que o atleta apresente sintomas clínicos, reduzindo afastamentos prolongados.
Além disso, os sensores possibilitam comparar desempenho entre sessões, facilitando o acompanhamento da evolução física e a adequação de programas de fortalecimento muscular específicos para cada atleta.
Futebol: Controle de intensidade e tomada de decisão em tempo real
No futebol, os wearables são amplamente utilizados para medir distância percorrida, velocidade, número de sprints, acelerações e carga metabólica. Esses indicadores ajudam a comissão técnica a compreender como cada jogador responde às demandas físicas do jogo e do treinamento, alude Luciano Colicchio Fernandes.
Em competições de alto nível, os dados são analisados quase em tempo real, permitindo ajustes de substituição, mudanças de posicionamento e estratégias de recuperação. Esse tipo de gestão baseada em dados reduz o risco de decisões baseadas apenas em percepção subjetiva, especialmente em calendários congestionados.
Os sensores também auxiliam no retorno gradual de atletas após lesões, permitindo progressões controladas de carga e reduzindo o risco de recaídas.
Da preparação física à estratégia de jogo
Embora o uso mais difundido dos wearables esteja associado à preparação física, a integração desses dados com análises táticas amplia seu impacto estratégico. Ao cruzar informações de posicionamento, esforço físico e desempenho técnico, é possível avaliar como a intensidade de determinadas funções em campo afeta o rendimento coletivo.
Segundo Luciano Colicchio Fernandes, esse cruzamento de dados ajuda a entender, por exemplo, se um sistema tático exige esforço excessivo de determinados jogadores ou se há queda de eficiência defensiva associada à fadiga em fases específicas da partida. Esse nível de análise contribui para ajustes estruturais no modelo de jogo, indo além da simples gestão individual de carga.
Democratização dos sensores e impacto no esporte amador
O avanço tecnológico também levou à redução de custos e à popularização de dispositivos de monitoramento em academias e esportes amadores. Relógios inteligentes, cintas cardíacas e aplicativos de treino permitem que praticantes acompanhem carga de esforço, recuperação e evolução física.
Na visão de Luciano Colicchio Fernandes, essa democratização tem potencial positivo para estimular hábitos mais saudáveis e treinos mais seguros, desde que os dados sejam utilizados como referência e não como única base para decisões sobre intensidade e volume de exercício.
Desafios para o futuro
Luciano Colicchio Fernandes evidencia que o próximo desafio não é ampliar a quantidade de dados, mas qualificar sua interpretação e integrar tecnologia à cultura esportiva de forma equilibrada. Portanto, o futuro da gestão do atleta passa pela combinação entre métricas precisas e leitura humana experiente, garantindo que a inovação realmente contribua para o desempenho e longevidade no esporte.
Autor: Donald Williams

