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Diohn do Prado
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A arquitetura está mudando: Por que mármores, granitos e quartzitos já saíram da bancada?

Laura Ventelli
Laura Ventelli 6 de outubro de 2026
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Paredes, escadas, fachadas e móveis passaram a competir com a cozinha pela atenção às pedras naturais. Diohn do Prado, diretor administrativo, aponta que mármores, granitos e quartzitos passaram a compor superfícies que anteriormente recebiam pintura, madeira ou revestimentos cerâmicos, expandindo o papel da pedra na concepção dos ambientes.

Contents
A expansão da pedra para além da cozinha Os novos usos das pedras naturais na arquiteturaCuidados técnicos para aplicações fora do convencionalA pedra como linguagem do projeto

A expansão é justificada tanto em aspectos técnicos quanto estéticos. A evolução do corte, da fixação e do tratamento das superfícies tornou viável o uso da pedra em peças mais finas, recortes complexos e áreas verticais. Além disso, a valorização de materiais naturais nos projetos de alto padrão resultou em um aumento na procura por elementos com identidade própria.

No entanto, essa diversidade demanda critérios distintos para cada aplicação. Saiba, nos próximos tópicos, onde as pedras naturais vêm sendo usadas e quais cuidados cada uso pede.

A expansão da pedra para além da cozinha 

Por um extenso período, a pedra natural esteve associada a funções utilitárias, tais como bancadas, soleiras, peitoris e pisos em áreas molhadas. A resistência à água e ao desgaste justificam tal concentração. Com a presença de plantas mais abertas e ambientes integrados, a pedra passou a ser utilizada também como elemento de composição, capaz de marcar um espaço ou conectar vários deles.

Diohn do Prado elucida que a seleção de uma chapa para parede ou mobiliário segue uma lógica distinta da seleção para bancada, uma vez que o critério principal se desloca do desempenho sob uso intenso para a leitura visual dos veios e da textura. Isso permite o uso de pedras de desenho mais expressivas, que, em uma cozinha de uso pesado, exigiriam cuidados constantes.

A mudança também diversificou o repertório de materiais. O ônix e outras pedras translúcidas, por exemplo, foram empregadas em painéis retroiluminados, aplicação que explora uma característica impossível de ser explorada em superfícies de trabalho e que transforma a pedra em fonte de luz difusa.

Os novos usos das pedras naturais na arquitetura

Por sua vez, Diohn do Prado destaca que os usos que mais ampliaram a presença da pedra são aqueles em que ela assume, simultaneamente, uma função estética e uma função prática. Dentre as aplicações que se destacam, podemos citar:

  • Paredes e painéis: chapas inteiras ou composições em bookmatch revestem salas, halls e cabeceiras, criando um ponto focal. Painéis retroiluminados em pedras translúcidas acrescentam efeito de luz suave ao ambiente.
  • Lavabos: por terem uso reduzido e grande visibilidade, aceitam pedras de desenho mais ousado, cubas esculpidas no próprio bloco e revestimento integral de paredes e bancada.
  • Escadas: degraus e espelhos em granito ou quartzito unem durabilidade ao tráfego intenso e continuidade visual entre pavimentos. Acabamentos menos lisos ou frisos antiderrapantes aumentam a segurança.
  • Fachadas: sistemas de fachada ventilada fixam placas de pedra em estrutura metálica afastada da parede, o que melhora o desempenho térmico e facilita a manutenção.
  • Mobiliário: mesas de jantar, aparadores, mesas laterais e prateleiras levam a pedra para o centro dos ambientes, muitas vezes combinada à madeira e metal.
  • Elementos decorativos: luminárias, vasos, bandejas e esculturas aproveitam peças menores e retalhos, ampliando o uso do material.
Diohn do Prado
Diohn do Prado

Cada uso visa atender a uma necessidade específica. Enquanto a fachada exige resistência a intempéries, o mobiliário deve ser projetado para suportar uma carga compatível com a estrutura e a escada deve garantir aderência. Assim, a especificação é uma etapa fundamental para garantir não apenas a estética, mas também a funcionalidade do projeto.

Cuidados técnicos para aplicações fora do convencional

O peso é o primeiro ponto a ser observado. Uma chapa de granito com 2 centímetros de espessura possui peso aproximado de 50 a 55 quilos por metro quadrado, o que interfere na fixação em paredes, no dimensionamento de móveis e na estrutura de tampos suspensos. Em geral, são necessários inserts metálicos, colas estruturais e suportes ocultos.

O acabamento também sofre alterações de acordo com o uso. As superfícies polidas valorizam veios em paredes e móveis, porém podem apresentar escorregamento em escadas e áreas externas. Nesses casos, acabamentos como levigado, escovado, apicoado ou flameado proporcionam equilíbrio entre estética e segurança, sem ocultar a identidade da pedra.

Ainda, Diohn do Prado reforça a necessidade de planejamento das peças a partir do projeto, incluindo a definição de espessura, a posição das emendas e o sistema de fixação antes do corte, especialmente em aplicações verticais e em mobiliário. 

A manutenção é realizada de acordo com a localização da peça. Os painéis internos exigem pouca intervenção, enquanto as fachadas, escadas e móveis de uso diário pedem impermeabilização periódica e limpeza com produtos neutros, sobretudo no caso dos mármores, mais sensíveis a ácidos.

A pedra como linguagem do projeto

A retirada da pedra natural das bancadas indica uma mudança na forma de projetar. Paredes, escadas, fachadas, lavabos e móveis passaram a incorporar mármores, granitos e quartzitos como elementos de identidade, ultrapassando a função de meras superfícies resistentes. Este movimento amplia o repertório dos projetos ao permitir que um mesmo material seja utilizado em diferentes escalas do espaço, segundo Diohn do Prado.

Esse alcance, no entanto, depende de decisões técnicas consistentes. É imprescindível que o peso, a fixação, o acabamento e a manutenção acompanhem a ambição estética, a fim de evitar que uma peça marcante se torne uma fonte de problemas no uso diário.

Ademais, o diretor administrativo, Diohn do Prado, conclui que a combinação entre uma escolha criteriosamente feita e uma execução meticulosamente planejada permite que a pedra ocupe novos lugares sem prejuízo de seu desempenho. Quando tais dimensões caminham em conjunto, os novos usos deixam de ser meros modismos para se tornarem parte integrante da arquitetura de forma duradoura.

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