A Operação Resgate VI identificou e retirou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão durante 231 ações fiscais realizadas entre 1º e 31 de agosto de 2026. O resultado foi divulgado em 9 de setembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Polícia Federal. A operação reuniu ainda o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União.
Os dados mostram que a exploração permanece presente em diferentes regiões e setores da economia brasileira. O Sudeste concentrou 267 trabalhadores resgatados, dos quais 208 estavam em Minas Gerais. As equipes também encontraram situações de violação em outras áreas do país, reforçando que o trabalho análogo à escravidão não se limita a um estado, cadeia produtiva ou modalidade de emprego.
Campo concentra a maior parte dos resgates
O meio rural respondeu por 57,5% das ações realizadas e concentrou 292 dos 479 resgates. Entre as atividades com maior número de trabalhadores atingidos estão a construção civil, com 85 pessoas; o cultivo de café, com 53; o cultivo de cebola, com 47; e o cultivo de batata-inglesa, com 44 trabalhadores resgatados.
Também foram identificadas ocorrências na coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas e em outras atividades agrícolas. A diversidade dos setores alcançados pela operação indica que as condições degradantes podem surgir tanto em grandes frentes produtivas quanto em relações de trabalho marcadas pela informalidade, pela dependência econômica e pela dificuldade de fiscalização.
Mulheres, crianças e migrantes estão entre os resgatados
O levantamento evidencia o impacto da exploração sobre grupos com menor poder de negociação. Entre as pessoas resgatadas estavam 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes. Os trabalhadores estrangeiros eram provenientes de Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
Um dos casos divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego envolve uma trabalhadora doméstica de 51 anos que teria permanecido por aproximadamente quatro décadas sem registro formal e sem receber salário regularmente. A situação demonstra que o problema também pode ocorrer dentro de residências e em relações de trabalho que permanecem afastadas do alcance cotidiano dos mecanismos de fiscalização.
Além dos resgates, as equipes encontraram 1.192 trabalhadores sem registro formal. A operação prevê cerca de 1.836 autuações por irregularidades trabalhistas, incluindo situações relacionadas ao trabalho infantil, à informalidade e ao descumprimento de normas de saúde e segurança. Os números ainda estão associados aos procedimentos administrativos e às medidas de responsabilização cabíveis em cada caso.
Medidas garantem renda emergencial e pagamento de direitos
Os trabalhadores resgatados tiveram acesso ao seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo. O benefício busca oferecer uma proteção imediata a pessoas que perderam a fonte de renda após a interrupção das atividades e a rescisão dos contratos de trabalho.
Os empregadores também foram notificados a interromper as atividades, rescindir os contratos e formalizar os vínculos retroativamente. Segundo as informações divulgadas pelas instituições públicas, há previsão de pagamento de mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas e rescisórias aos trabalhadores alcançados pela operação.
Na esfera coletiva, o Ministério Público do Trabalho informou a assinatura de três termos de ajuste de conduta e o ajuizamento de quatro ações civis públicas. Essas medidas podem ampliar a responsabilização dos empregadores e estabelecer obrigações para corrigir irregularidades, além de buscar reparação pelos danos provocados.
Fiscalização integrada combate violações em diferentes regiões
A Operação Resgate VI foi coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego com a participação de órgãos responsáveis pela fiscalização trabalhista, pela defesa de direitos coletivos, pela assistência jurídica e pela investigação policial. A atuação conjunta permite combinar o resgate imediato, a garantia de benefícios e direitos, a coleta de informações e o encaminhamento de medidas judiciais.
Os resultados divulgados em setembro mostram que o combate ao trabalho análogo à escravidão depende da presença do Estado em atividades rurais, urbanas e domésticas. Para além do número de trabalhadores resgatados, os dados revelam como a precarização do trabalho atinge pessoas sem registro, migrantes, mulheres e menores de idade, grupos que frequentemente enfrentam maiores obstáculos para denunciar abusos e acessar a Justiça.

