O avanço do varejo ampliou a procura por galpões logísticos no país. Nesse contexto, Elmar Varjão, engenheiro formado pela UFBA, com MBA em Gestão de Projetos pela FIA Business School, avalia que obras de centros de distribuição seguem uma lógica própria dentro da construção civil. Nelas, o prazo de entrega costuma pesar tanto quanto o orçamento.
Isso acontece porque o galpão logístico é parte de uma operação que já tem data para começar. Uma rede varejista que planeja abastecer lojas antes de uma data comercial importante não consegue adiar estoques, contratações e rotas de transporte à espera da obra.
Esse vínculo entre construção e operação levanta dúvidas frequentes entre investidores, varejistas e gestores de infraestrutura logística. Confira abaixo as respostas para as perguntas que mais aparecem quando o assunto é tirar um centro de distribuição do papel.
O que diferencia um galpão logístico de uma obra industrial comum?
A principal diferença está no desempenho exigido do piso e da cobertura. Empilhadeiras e porta-paletes circulam o dia inteiro, e estantes com vários níveis de altura concentram cargas pesadas em pontos específicos. Um piso com pequenas ondulações já compromete a segurança dessas operações.
Altura livre interna, quantidade de docas e área de pátio para manobra de carretas também definem o projeto. Cada metro a mais de pé-direito amplia a capacidade de armazenagem, mas altera o dimensionamento da estrutura, das fundações e do sistema de combate a incêndio.
Elmar Varjão destaca que essas definições precisam vir do uso futuro do espaço, e não de um padrão genérico de galpão. Um centro voltado a comércio eletrônico, com muitos pedidos pequenos, pede outra organização interna do que um armazém de cargas paletizadas.
Por que os prazos dessas obras são tão curtos?
O motivo está no custo de oportunidade do cliente. Enquanto o centro de distribuição não opera, a empresa paga aluguel em outros espaços, mantém rotas mais longas e perde agilidade de entrega, o que afeta diretamente sua competitividade.
Esse cenário faz com que o cronograma vire o principal instrumento de gestão do empreendimento. Atrasos de semanas em uma etapa crítica, como a concretagem do piso, se propagam para montagem de estrutura, instalações e liberação dos alvarás de funcionamento.
Diante disso, o planejamento e controle de obras ganha peso desde a fase de projeto. Definir antecipadamente a sequência de frentes de trabalho, os fornecedores críticos e as janelas de entrega de materiais reduz a margem para improvisos no canteiro.
Como a industrialização ajuda a cumprir o cronograma?
Estruturas metálicas e peças pré-moldadas de concreto são fabricadas fora do canteiro enquanto a terraplenagem e as fundações avançam. Quando o terreno fica pronto, a montagem acontece em ritmo muito superior ao de uma estrutura moldada no local.
Esse paralelismo, segundo avaliação de Elmar Varjão, só funciona quando o projeto está detalhado antes do início da fabricação. Mudanças tardias em vãos, cargas ou posicionamento de docas obrigam a refazer peças já produzidas e anulam o ganho de tempo.
Há ainda um efeito sobre a qualidade. Peças produzidas em ambiente controlado tendem a apresentar menor variação dimensional, o que facilita o encaixe na montagem, reduz retrabalho nas etapas seguintes e diminui a exposição das equipes a atividades em altura.
O que considerar além da entrega da obra?
Um centro de distribuição opera por muitos anos e, muitas vezes, troca de inquilino ao longo desse período. Projetos que preveem flexibilidade de leiaute, possibilidade de ampliação e reforço de cargas tendem a manter o imóvel atrativo por mais tempo.
A eficiência operacional também passa por decisões de engenharia tomadas no início, como iluminação natural pela cobertura, preparação para geração de energia solar e sistemas de drenagem capazes de suportar chuvas intensas sem alagar pátios e docas.
Por fim, Elmar Varjão observa que a obra logística bem-sucedida é aquela que entrega o prazo sem transferir problemas para a operação. Um galpão inaugurado na data, mas com piso irregular ou docas mal posicionadas, apenas adia o custo para o dia a dia do cliente.

