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IBGE revela barreiras que dificultam o acesso ao trabalho e à renda para milhões de brasileiros

Laura Ventelli
Laura Ventelli 18 de setembro de 2026
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Novo estudo mostra como deficiência, baixa participação no mercado de trabalho e diferenças de rendimento ainda afetam a mobilidade econômica no país.

Contents
Por que a participação no mercado de trabalho ainda é tão desigual?Como a diferença de renda interfere na mobilidade econômica?O que os novos dados revelam sobre pobreza e oportunidades no Brasil?

A divulgação de novos dados do IBGE nesta sexta-feira, 18 de setembro, trouxe uma dimensão importante sobre as desigualdades sociais brasileiras: para milhões de pessoas com deficiência, conseguir emprego e alcançar rendimentos maiores continua sendo mais difícil. O estudo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, baseado principalmente em informações do Censo 2022, mostra que a diferença não está apenas na quantidade de pessoas empregadas, mas também nos salários, na presença em cargos de maior responsabilidade e na proteção previdenciária. (Folha de S.Paulo)

O tema interessa porque emprego e renda são dois dos principais caminhos para melhorar as condições de vida de uma família. Quando determinados grupos encontram mais obstáculos para entrar no mercado ou avançar profissionalmente, a desigualdade pode se prolongar por anos e afetar também o orçamento doméstico, o acesso ao consumo, a educação e a capacidade de acumular patrimônio. Os números divulgados agora ajudam a entender por que inclusão econômica não depende somente da existência de vagas, mas também das condições para que diferentes brasileiros consigam disputar oportunidades em condições mais próximas.

Por que a participação no mercado de trabalho ainda é tão desigual?

O Censo 2022 identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência entre a população de dois anos ou mais, equivalente a 7,3% desse grupo etário. Entre as pessoas com 14 anos ou mais, havia 13,7 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar, mas somente cerca de 4 milhões estavam ocupadas. O nível de ocupação ficou em 29%, enquanto entre pessoas sem deficiência da mesma faixa etária alcançou 55,8%, uma diferença que revela uma distância significativa no acesso ao mercado de trabalho. (IBGE)

Essa diferença não significa que todas as pessoas com deficiência enfrentem as mesmas condições. O próprio levantamento mostra variações importantes conforme o tipo de dificuldade funcional. Entre pessoas com dificuldades relacionadas a funções mentais, por exemplo, o nível de ocupação foi de 12,9%, enquanto entre aquelas com dificuldade para enxergar chegou a 35,9%. Os números ajudam a mostrar que políticas de inclusão precisam considerar diferentes barreiras, desde acessibilidade e transporte até formação profissional, adaptação dos ambientes de trabalho e processos de contratação.

Outro ponto relevante aparece na posição ocupada dentro das empresas. Segundo os dados apresentados pelo IBGE, apenas 2,5% dos cerca de 2,3 milhões de cargos gerenciais existentes no país em 2022 eram ocupados por pessoas com deficiência, o equivalente a aproximadamente 59,1 mil posições. Isso significa que a discussão não termina quando uma pessoa consegue uma vaga, porque a possibilidade de avançar para funções de maior responsabilidade e remuneração também influencia diretamente a mobilidade social. (Folha de S.Paulo)

Como a diferença de renda interfere na mobilidade econômica?

A desigualdade aparece também no rendimento recebido pelo trabalho. Em 2022, o rendimento médio mensal das pessoas com deficiência foi de R$ 2.053, enquanto o das pessoas sem deficiência ficou em R$ 2.890. A diferença de aproximadamente 29% mostra que, mesmo entre quem consegue trabalhar, a renda não é distribuída de maneira semelhante entre os dois grupos. (Folha de S.Paulo)

O problema ganha importância quando observado ao longo da vida. Uma renda menor pode reduzir a capacidade de uma família de pagar cursos, financiar uma moradia, formar uma reserva financeira ou lidar com despesas inesperadas. Também pode dificultar investimentos na educação dos filhos e aumentar a dependência de benefícios ou de outros integrantes do domicílio para equilibrar o orçamento. Por isso, a diferença salarial não deve ser analisada apenas como uma estatística do mercado de trabalho, mas como um fator que pode influenciar as oportunidades disponíveis para toda a família.

Os dados também mostram diferenças dentro do próprio grupo de pessoas com deficiência. Entre os trabalhadores com deficiência, homens recebiam, em média, R$ 2.296 por mês, enquanto mulheres recebiam R$ 1.794. A desigualdade de gênero aparece também entre pessoas sem deficiência, embora em outro nível, o que indica a sobreposição de diferentes fatores que influenciam a renda e a trajetória profissional. (Poder360)

A contribuição para a Previdência é outro indicador importante. Em 2022, 57,9% dos trabalhadores ocupados com deficiência contribuíam para a Previdência, contra 67,7% entre os ocupados sem deficiência. Além de representar uma diferença na proteção social, esse dado pode ter consequências futuras sobre aposentadoria e acesso a benefícios vinculados à contribuição, tornando a qualidade do emprego tão importante quanto a simples existência de uma ocupação. (Folha de S.Paulo)

O que os novos dados revelam sobre pobreza e oportunidades no Brasil?

A desigualdade de oportunidades começa antes da entrada no mercado de trabalho e pode aparecer ainda na infância. O levantamento do IBGE indica que, em 2022, 60,9% das crianças e adolescentes de 2 a 14 anos com deficiência viviam em domicílios abaixo da linha de pobreza utilizada no estudo, ante 52,5% entre aqueles sem deficiência na mesma faixa etária. A diferença mostra como condições econômicas e limitações de acesso a oportunidades podem se acumular desde os primeiros anos de vida. (Folha de S.Paulo)

Esse cenário também ajuda a entender a importância de educação, acessibilidade e qualificação profissional para a mobilidade social. Uma criança que enfrenta dificuldades de acesso à escola, transporte, tecnologia assistiva ou atendimento especializado pode chegar à vida adulta com obstáculos adicionais para ingressar em cursos profissionalizantes, universidades e empregos de maior produtividade. Dessa forma, investimentos em inclusão educacional podem ter efeitos econômicos muito além do período escolar, porque ampliam as possibilidades de participação no mercado de trabalho.

Os números também mostram que a desigualdade não desaparece automaticamente com o crescimento da economia ou com a criação de novos postos de trabalho. É possível haver aumento da ocupação e, ao mesmo tempo, persistirem diferenças entre grupos na remuneração, na qualidade das vagas e no acesso a posições de comando. Para empresas, governos e instituições de ensino, os dados colocam em evidência a necessidade de acompanhar não apenas quantas pessoas são contratadas, mas também quais oportunidades de desenvolvimento profissional estão efetivamente disponíveis.

Nos próximos anos, a evolução desses indicadores poderá ajudar a medir se as barreiras de acesso ao emprego estão diminuindo e se a inclusão está chegando às posições de maior remuneração. O acompanhamento será especialmente importante diante das mudanças demográficas e tecnológicas que estão transformando o mercado de trabalho brasileiro. Para as famílias, a questão central permanece prática: ampliar o acesso ao trabalho e à renda significa criar condições para que mais pessoas possam estudar, consumir, poupar e construir uma trajetória econômica mais estável. Os dados divulgados pelo IBGE mostram que essa mobilidade ainda ocorre de maneira desigual e que compreender onde estão as barreiras é um passo necessário para acompanhar as mudanças sociais do Brasil. (Folha de S.Paulo)

Fontes:

  • IBGE — Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, Censo 2022
  • IBGE — Agência de Notícias
  • Folha de S.Paulo — Dados sobre trabalho e renda de pessoas com deficiência
  • Poder360 — Renda de pessoas com deficiência
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