Entre o carro e a caminhada existe uma faixa de deslocamentos que ganhou novos protagonistas nas cidades: as bikes elétricas e scooters elétricas autopropelidas. Para Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade, esses veículos atendem principalmente trajetos curtos, nos quais o automóvel pode representar mais tempo e custo do que conveniência, enquanto caminhar nem sempre é uma alternativa viável.
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Por que os pequenos trajetos desafiam a mobilidade tradicional?
Muitos deslocamentos urbanos não exigem grandes distâncias, mas ainda dependem de veículos projetados para percursos muito maiores. O resultado pode ser uma utilização pouco eficiente do espaço viário, especialmente quando um automóvel ocupa uma área considerável para transportar uma única pessoa em um trajeto de poucos quilômetros. Essa diferença entre a estrutura necessária e a distância percorrida ajuda a explicar a busca por alternativas mais adequadas aos trajetos cotidianos.
É justamente nesse intervalo que as scooters elétricas autopropelidas ganham relevância. Elas permitem realizar deslocamentos individuais sem exigir a estrutura associada ao automóvel e podem atender situações como ida ao trabalho, acesso a estabelecimentos próximos ou conexão entre diferentes pontos de uma mesma região. Com isso, o veículo pode se encaixar em deslocamentos que exigem mais agilidade do que uma caminhada, mas não justificam necessariamente o uso de um carro.
Fredy da Silva Gonçalves Bento identifica nesse cenário uma oportunidade para ampliar as alternativas disponíveis ao usuário. A questão não é substituir todos os meios de transporte por um único modelo, mas oferecer uma opção adequada para situações em que carro e caminhada não apresentam a melhor relação entre tempo, distância e praticidade. A escolha passa, assim, a considerar as características de cada trajeto e a solução que melhor corresponde às necessidades daquele deslocamento.
Onde entram as bikes e scooters elétricas autopropelidas?
Fredy da Silva Gonçalves Bento destaca que as bikes elétricas e scooters elétricas autopropelidas ocupam um espaço intermediário na mobilidade urbana. A propulsão elétrica facilita o deslocamento e permite percorrer distâncias maiores do que aquelas normalmente associadas à caminhada, enquanto as dimensões reduzidas favorecem a utilização em trajetos nos quais um automóvel pode ser pouco conveniente.

Essa característica também ajuda a explicar por que os autopropelidos passaram a fazer parte das discussões sobre mobilidade nas grandes cidades. A regulamentação nacional já estabelece características próprias para esses equipamentos, incluindo limites técnicos de potência, velocidade e dimensões, além de dispensar habilitação e emplacamento quando o veículo se enquadra nessa categoria.
Por que o espaço urbano também precisa acompanhar essa mudança?
O crescimento dos veículos elétricos autopropelidos traz uma questão que vai além da escolha individual. Se mais pessoas utilizarem esses equipamentos, as cidades precisam organizar os espaços de circulação para que diferentes usuários consigam compartilhar a infraestrutura com segurança. Essa adaptação se torna ainda mais importante à medida que bikes elétricas e scooters elétricas autopropelidas passam a integrar deslocamentos cotidianos.
São Paulo passou a tratar esse assunto de maneira mais específica em 2026. As novas regras municipais estabeleceram parâmetros para bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos, incluindo limite de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas destinadas à circulação de bicicletas e velocidade de até 6 km/h em determinados espaços compartilhados com pedestres. A definição desses limites procura adequar a circulação dos veículos às características de cada ambiente e reduzir conflitos entre diferentes usuários.
A mudança mostra que a expansão da mobilidade elétrica precisa ser acompanhada por regras compreensíveis e infraestrutura compatível. Fredy da Silva Gonçalves Bento frisa que não basta colocar novos veículos nas ruas; é necessário definir onde eles circulam, como interagem com pedestres e outros usuários e quais comportamentos tornam essa convivência mais previsível. Nesse processo, a organização do espaço urbano passa a ter papel tão importante quanto a evolução dos próprios veículos.

