O setor funerário brasileiro carrega uma lacuna histórica: a ausência de dados sistematizados sobre sua real dimensão. Para Tiago Oliva Schietti, empresário ligado à modernização e profissionalização no setor funerário, o lançamento da Cartografia da Morte, pesquisa inédita conduzida pela ACEMBRA e pelo SINCEP, marcou um ponto de inflexão para o segmento. Compreender o que esse levantamento revela é o primeiro passo para transformar um mercado ainda marcado pela informalidade e pela falta de planejamento estratégico.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender por que mapear o setor funerário importa, o que essa pesquisa representa para a profissionalização do mercado e de que forma os dados orientam decisões mais inteligentes. Se você atua no setor ou acompanha suas transformações, continue lendo e descubra o que os números dizem sobre o futuro do segmento.
O que é a Cartografia da Morte e por que ela é um marco para o setor?
Lançada em 2018 pela ACEMBRA e pelo SINCEP, entidades parceiras que representam cemitérios e crematórios particulares no Brasil, a Cartografia da Morte foi a primeira pesquisa de abrangência nacional dedicada a mapear o perfil, a distribuição e as práticas do setor funerário brasileiro. Antes dela, o mercado operava sem um retrato claro de si mesmo, o que dificultava tanto a formulação de políticas públicas quanto o desenvolvimento de estratégias empresariais mais sólidas. Na visão de Tiago Oliva Schietti, esse tipo de iniciativa tem um valor que vai além dos números: ela confere ao setor uma identidade mensurável, algo indispensável para quem quer crescer com consistência.
A pesquisa revelou um mercado geograficamente disperso, com forte presença de pequenas e médias empresas, muitas delas ainda em processo de formalização e profissionalização. Esse diagnóstico, por si só, já justifica o esforço de mapeamento. Um setor que não se conhece dificilmente consegue se organizar para enfrentar os desafios que a modernização impõe. Compreender onde estão os cemitérios, quantos crematórios operam no país, qual é o perfil dos gestores e quais práticas predominam são informações que estruturam qualquer debate sério sobre o futuro do segmento.
Por que dados sobre o setor funerário interessam além das empresas do ramo?
A resposta está na natureza do serviço em si. Funerárias e cemitérios não são apenas negócios; são equipamentos urbanos com impacto direto sobre a saúde pública, o planejamento territorial e a gestão municipal. Tiago Oliva Schietti demonstra que, quando os gestores públicos desconhecem a dimensão real desse mercado, as consequências aparecem na forma de regulação insuficiente, ausência de fiscalização e precarização dos serviços prestados à população. Dados confiáveis, portanto, são também uma ferramenta de governança.
Adicionalmente, o mapeamento contribui para que investidores, fornecedores e novos entrantes entendam melhor o ambiente em que vão atuar. Um mercado com informações acessíveis atrai mais capital, mais inovação e mais concorrência qualificada, o que, no longo prazo, eleva o padrão geral dos serviços. Nesse sentido, a Cartografia da Morte cumpriu um papel que transcende o acadêmico: ela abriu portas para um diálogo mais maduro entre o setor privado, o poder público e a sociedade.

Como o mapeamento impulsiona a profissionalização do mercado funerário?
A profissionalização de qualquer setor começa pelo diagnóstico. Sem saber onde estão os gargalos, quais regiões estão subatendidas e quais práticas precisam ser atualizadas, qualquer esforço de melhoria corre o risco de ser superficial. Como destaca o especialista em gestão cemiterial, Tiago Oliva Schietti, o valor de uma pesquisa como a Cartografia da Morte está precisamente em transformar percepções subjetivas em evidências objetivas, capazes de orientar tanto a gestão empresarial quanto a formulação de políticas setoriais.
A ACEMBRA e o SINCEP, ao conduzirem esse levantamento, assumiram um papel que vai além da representação sindical tradicional. Produzir conhecimento sobre o próprio setor é um ato de liderança que poucos segmentos da economia brasileira praticam com a mesma consistência. Esse compromisso com a geração de dados fortalece a credibilidade das entidades e amplia sua capacidade de dialogar com o poder público em bases mais sólidas e propositivas.
De que forma a tecnologia se conecta ao avanço do setor funerário?
A tecnologia aparece como uma das principais alavancas para que o setor funerário evolua a partir do que os dados revelam. Sistemas de gestão, plataformas digitais de atendimento, ferramentas de monitoramento ambiental e soluções de rastreabilidade são recursos que já estão disponíveis e que permitem operacionalizar, na prática, as melhorias que o mapeamento indica como necessárias. Segundo Tiago Oliva Schietti, a tecnologia não substitui o cuidado humano que o setor exige, mas potencializa a capacidade de entrega e eleva o padrão de qualidade de forma consistente e escalável.
A conexão entre dados e tecnologia cria um ciclo virtuoso: o mapeamento identifica onde há deficiências, a tecnologia oferece as ferramentas para corrigi-las e os resultados alimentam novos diagnósticos, cada vez mais precisos. Para um setor que lida com momentos de extrema vulnerabilidade humana, esse ciclo representa muito mais do que eficiência operacional. Representa respeito, responsabilidade e compromisso com quem mais precisa de um serviço digno e bem executado.
Conclusão: conhecer para transformar
Em última análise, o que a Cartografia da Morte nos ensina é que conhecimento e transformação caminham juntos. Ao trazer luz sobre um mercado historicamente invisível nas estatísticas nacionais, a ACEMBRA e o SINCEP pavimentaram um caminho que o setor funerário brasileiro ainda está percorrendo.
De acordo com o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, cada novo dado levantado, cada pesquisa publicada e cada debate qualificado sobre o segmento representa um passo concreto rumo a um mercado mais justo, mais regulado e mais preparado para servir à sociedade com excelência. Conhecer é, sempre, o ponto de partida para transformar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

